Meu filho não quer trabalhar na minha empresa! E agora?

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Muitos pais empreendedores, em algum momento da vida, passam por esse dilema: o filho não quer trabalhar no negócio da família. E agora? As reações a esta constatação são diversas. Alguns pais ignoram, como se nada tivesse acontecido, assumem uma postura de indiferença. Outros, se revoltam contra o filho, travam discussões calorosas, fazem pressões psicológicas e tentam a todo custo convencer seu filho a mudar de ideia.

Tenho percebido, nos últimos anos que em poucos casos, existe uma maturidade familiar, que permite escolhas pessoais por parte dos filhos, sem que isto atrapalhe as relações entre pais, filhos e a perpetuidade do negócio.

O que os pais empreendedores precisam compreender é que seus filhos necessitam ter a oportunidade de identificar seus próprios talentos e sua vocação profissional. Existem muitos filhos frustados, trabalhando nos negócios da família empreendedora, por que foram obrigados e preparados psicologicamente desde pequenos para serem os sucessores no negócio.

A grande questão é que deve-se respeitar a individualidade de cada filho. Criar um ambiente familiar propício para escolhas maduras e responsáveis deveria ser o foco principal dos pais. Todo pai e toda mãe deveria desejar o melhor para seus filhos. E nem sempre, o melhor é trabalhar no negócio da família. Por que? Porque cada um deve fazer suas escolhas pessoais, de acordo com seus talentos natos e desejos.

É muito comum, pensar nas famílias empreendedoras que o único caminho para perpetuar o negócio são os filhos sucederem os pais. Porém, esta não é uma verdade absoluta. Existem outras alternativas. Isto é uma crença que precisa ser rompida, para que, de fato, a família empreendedora encontre paz e felicidade.

É preciso compreender a diferença entre os papéis de sócio, família e executivo. Pode haver entre os pais e filhos uma relação de sociedade x família, ou sociedade x família x executivo ou apenas família. Eu explico: os filhos que escolhem não ser executivos no negócio não perdem o direito de sócios, ou seja, de donos do negócio. O problema é que os pais criam expectativas irreais dos filhos, e quando não se realizam, ficam frustrados.

O diálogo deve ser a principal ferramenta entre pais e filhos de uma família empreendedora. Os pais devem investir em ajuda profissional para seus filhos identificarem o que de fato querem ser no futuro. Os pais não devem se sentir culpados por seus filhos não escolherem trabalhar no negócio. Se você passa por esta angústia neste momento, sente com seu filho e pergunte para ele o que o motivou para tomar esta decisão?

Sei que pode se parecer difícil, pois você pode estar magoado, triste e decepcionado com seu filho, querendo evitá-lo. Faça este esforço de se aproximar neste momento, converse, ouça atentamente, apoie seu filho nas escolhas dele. Marquem um momento com toda a família, envolva os outros membros e conversem sobre o futuro do negócio. Juntos façam um bom planejamento estratégico e reflitam sobre as possibilidades que a família terá a longo prazo para perpetuidade do negócio.

Não permita que os pensamentos e sentimentos negativos tomem conta de você e que acabe te afastando dos seus filhos. Reveja os seus comportamentos como pai/mãe e busque ajuda. É possível amadurecer a família empreendedora, a partir do momento que os membros desta família se tornam mais conscientes de si mesmo e responsáveis por suas escolhas.

E agora? Agora, é vida que segue. Quanto mais seus filhos tiverem oportunidade de fazer suas escolhas, mais realizados eles serão. Aprenda a tirar seu chapéu de dono e colocar o chapéu de pai. Como pai, apoie seu filho, sua filha. Como dono, crie boas estratégias para o futuro do negócio.

 

Giovanna Caseli é Professional Coach, focada no desenvolvimento de membros de famílias empreendedoras. Visite: www.giovannacaseli.com.br.