Ser líder é tolerar dores

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Qual é a sua tolerância para a dor de ser líder?

Sim, estou afirmando que liderar dói, mesmo ciente de todos os prazeres, satisfações e conquistas que o posto de líder pode gerar. Afinal, definir os rumos de uma empresa ou organização é uma tarefa complexa, que nem sempre é cor-de-rosa.

O processo de tomar decisões, correndo riscos e provavelmente desagradando a alguns da equipe, é doloroso. Além de tudo o que é racional – como avaliar opiniões de terceiros, ler cenários, informar-se, estudar e planejar – há aspectos emocionais que influem diretamente nos momentos mais estratégicos da liderança, e que podem tornar essa experiência um pouco mais difícil.

O líder, não raro, está sozinho. Sente-se amargurado, preocupado e pressionado por conjunturas, pessoas e projeções. Apontar o caminho é um desafio que traz consigo olhares externos de desaprovação, julgamento e incompreensão. E isso apenas dentro da organização – porque não podemos nos esquecer do ambiente externo, onde a competição com os concorrentes e os cenários conjunturais podem ser tão ou mais desafiadores.

Motivar sem estar motivado; orientar, apontando os pontos fracos, e mantendo aceso o engajamento; conectar pessoas em momentos de crise; ver além das dificuldades: são todas atividades delicadas que só cabem única e exclusivamente ao líder. E cotidianamente.

Conseguir manter-se ativo, propositivo, produtivo e inspirador ao liderar requer boas doses de tolerância à dor, ao “não”. Se você ainda não tinha parado para pensar nessa perspectiva, faça isso agora.

Não fuja do negativo. Talvez ajude lembrar que o líder resolve problemas, porque consegue ver além da situação difícil. Surgiu algo complexo para resolver? Encare como um desafio e dedique-se, rapidamente, a solucionar a questão. Não deixe para depois, não se afete emocionalmente ou fuja da situação acreditando que ela irá se resolver sozinha. Aceite o problema, resolvendo-o.

Racionalize. Estude o problema, permita-se pensar “fora da caixa”. Não restrinja suas energias à dificuldade em si, mas aponte suas forças para o momento seguinte, que é o da solução. Não tenha medo ou vergonha de pedir ajuda, de ouvir outras opiniões e “arejar” as ideias. Uma postura objetiva frente ao problema aumentará o seu grau de tolerância com a dor que o problema causa.

Preste atenção a suas emoções. Geralmente, uma situação difícil altera nossas energias. Fique atento ao seu humor, ao ânimo e à disposição para trabalhar. Qualquer mudança no seu emocional precisa ser percebida rapidamente para que você “entre em ação” dando ao problema a atenção que ele merece – nem mais, nem menos.

Respire. Calma e equilíbrio são fundamentais quando a “dor” vem. Mantenha o foco nos resultados e saiba dar descontos a posicionamentos muito radicais ou improdutivos. Exercite a habilidade de analisar o problema e as pessoas envolvidas, identificando o que pode realmente ajudar ou não.

No fundo, não se trata de evitar a dor. Ela sempre existirá para o líder. O grande aprendizado é se conhecer e conseguir identificar o que lhe causa mais dor, para poder evitar, ou, quando for o caso, desenvolver ferramentas para saber lidar com ela. Neste caso, tolerar é a melhor saída.

Giovanna Caseli é coach executiva, pessoal e de carreira. Focada em conectar membros de famílias empreendedoras.